Praticamente
invisíveis, com garras afiadas e reflexos apurados. Movem-se com
cautela. Calculam cada passo. Mesmo no chão repleto de folhas secas
nenhum barulho é perceptível. Eles estão lá, mas é impossível
avistá-los. Andam pelo ambiente como se fossem fantasmas e, quando menos
se espera, partem para o ataque. Os felinos são especialistas na arte da caça e farão qualquer coisa para matar sua presa.
Os
gatos são caçadores noturnos e solitários em sua maioria. Possuem
grandes olhos posicionados para frente, o que permite julgar distâncias
com precisão. À noite sua visão fica seis vezes mais apurada do que a
nossa. Eles devem essa alta sensibilidade ao tapetum, uma
membrana que fica atrás do cristalino e reflete a luz que passa pela
pupila. É o brilho refletido por essa camada que vemos quando colocamos a
lanterna nos olhos de um felino.
Os
outros sentidos também são aguçados. Orelhas grandes, móveis e em forma
de funil, captam o som de qualquer animal que esteja por perto. Bigodes
altamente sensíveis e olfato apurado ajudam na navegação e permitem
localizar um alvo mesmo no escuro total.
Almofadas
na sola das patas ajudam a abafar o som e permitem que o predador se
aproxime sem fazer barulho. A pelagem se mescla com o ambiente e
dificulta a visualização (As listras de um tigre se misturam com a grama
alta enquanto as rosetas de felinos encontrados em florestas imitam o
efeito dos raios de luz que passam pela copa das árvores).
As
garras retráteis permanecem guardadas na maior parte do tempo. Assim,
elas não se desgastam e permanecem afiadas. Quando o felino precisa
escalar ou agarrar uma presa, elas aparecem rapidamente em um mecanismo
semelhante ao de um canivete.
Os
felinos são predadores de topo de cadeia, controlam a população de
presas, abatem os indivíduos mais vulneráveis, eliminam portadores de
doenças e são essenciais para a manutenção de um ecossistema saudável.
Respeitados
e venerados por alguns e temidos e perseguidos por outros, a maioria
das espécies está em declínio. A destruição do habitat, a caça para a
fabricação de medicamentos e confecção de casacos e a perseguição de
fazendeiros que querem proteger seus rebanhos são as principais ameaças.
É
inegável o poder que temos para mudar o mundo. Nenhuma espécie tem um
controle tão grande sobre a Terra quanto os seres-humanos. Esse fato
coloca sobre nós, queira gostemos ou não, uma responsabilidade
gigantesca: Não é somente o nosso futuro que está em nossas mãos, mas o
destinos de todas as outras criaturas com quem dividimos o planeta.
Veja a seguir a lista com 20 felinos extraordinários:
Tigre (Panthera tigris)
Encontrados
em grande parte da Ásia, os tigres são os maiores felinos do mundo.
Habitavam lugares tão diversificados (florestas tropicais, pântanos e
savanas) que acabaram evoluindo em populações regionais com padrões e
tamanhos distintos, a ponto de serem classificadas em subespécies
diferentes, incluindo o tigre-siberiano, Panthera tigris altaica (foto).
Hoje, a maioria está extinta. A perda de habitat, a caça de suas presas
e o mercado negro chinês – que vende partes do corpo do felino para
fazer remédios – estão dizimando um dos predadores mais formidáveis do
planeta. A estimativa é que existam apenas 2 500 tigres na natureza
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie ameaçada.
Guepardo (Acinonyx jubatus)
O
mamífero terrestre mais rápido do planeta pode atingir 110 km/h. Suas
garras não são retráteis, o que gera mais tração e, consequentemente,
mais velocidade. O felino tem uma alta taxa de sucesso na captura de
presas. Esse fato não é visto com bons olhos pelos fazendeiros, que
frequentemente matam os guepardos para proteger seus rebanhos. A
competição com outros gatos também é uma ameaça à espécie: em algumas
áreas a mortalidade de filhotes chega a 95%, a maioria das perdas é
causada por leões.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie vulnerável.
Onça-pintada (Panthera onca)
A
onça-pintada é o maior felino das Américas. Possui a mordida mais
poderosa entre os felinos. Enquanto os outros gatos utilizam uma técnica
de caça com bote no pescoço seguida de sufocamento, a onça crava os
caninos na cabeça da presa e perfura o crânio da vítima até chegar ao
cérebro. Ela seleciona indivíduos inexperientes, machucados, doentes ou
mais velhos, o que acaba resultando em benefício para a própria
população de presas. Infelizmente, fazendeiros abatem o felino para
proteger seus rebanhos. No Pantanal, oProjeto Onçafari tenta salvar a
espécie através do ecoturismo, mostrando que a onça pode ter mais valor
se permanecer viva.
Status no Livro Vermelho da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: espécie vulnerável.
Caracal (Caracal caracal)
Encontrado
na África e na Ásia, o caracal, também conhecido como lince-do-deserto,
é capaz de pular 3 metros na vertical para abater aves em pleno voo.
Mas também caça roedores e pequenos antílopes. Animais domésticos também
podem fazer parte do cardápio e a presença deste felino não é muito
apreciada por fazendeiros. No entanto, devido sua grande área de
distribuição ele não está em perigo.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): pouco preocupante.
Leopardo (Panthera pardus)
Um
dos animais mais furtivos da África, o leopardo anda em seu habitat como
um fantasma. Sua população é maior que o dobro das populações de leões e
guepardos juntas. No entanto, é muito mais difícil ver um leopardo em
um safári do que qualquer outro grande felino. A conversão de seu
habitat em plantações e pasto, a retaliação de fazendeiros que querem
proteger seus rebanhos e a competição com humanos por presas fazem com
que a população da espécie siga diminuindo.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie quase ameaçada.
Leão (Panthera leo)
Os leões são
os mais sociais de todos os felinos. Fêmeas da mesma família formam
bandos, enquanto os machos se unem em coalizações para tentar conquistar
um bando. Caçam de forma cooperativa e podem derrubar presas grandes,
como girafas, búfalos, hipopótamos e até elefantes. Mas também se
alimentam de animais de pequeno porte e, em situações de desespero,
podem comer carniça. São caçados em retaliação pela morte de pessoas e
do gado na África. Seus ossos também podem ser vendidos para a
fabricação de medicamentos. Eles entram como substitutos dos ossos de
tigre que se tornam cada vez mais raros.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): vulnerável.
Leopardo-das-neves (Panthera uncia)
Acostumado
a baixas temperaturas, grandes altitudes e terrenos áridos, o
leopardo-das-neves é encontrado nas montanhas e penhascos no centro da
Ásia. Conflitos com pessoas, tráfico de animais e uma queda na
quantidade de presas são as principais ameaças enfrentadas pela espécie.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie ameaçada.
Serval (Leptailurus serval)
Com
grandes orelhas, pescoço comprido e pernas longas, o serval é encontrado
na beira de rios, lagos e brejos onde a vegetação é alta. Não se
interessam por animais domésticos e podem beneficiar fazendeiros
controlando a população de roedores. Aves, peixes, sapos e insetos fazem
parte do cardápio.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): pouco preocupante.
Pantera-nebulosa (Neofelis nebulosa)
Rosetas
em forma de nuvens irregulares espalhadas pelo corpo batizaram a
pantera-nebulosa (também conhecida como leopardo-nebuloso). Com até 1,1
metro de comprimento é o menor dos grandes felinos, mas sua habilidade
de escalada rivaliza com a de muitos gatos pequenos. Caça macacos, aves,
porcos-espinhos e veados. É encontrado em florestas densas no Sudeste
Asiático, habitat com uma das mais altas taxas de desmatamento no mundo.
O felino também é alvo do tráfico de animais. A pele é vendida para a
confecção de casacos, os ossos para a fabricação de remédios, a carne é
consumida em pratos exóticos e indivíduos vivos são negociados como
animais de estimação.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie ameaçada.
Pantera-negra (Panthera onca)
Antes vistas como espécies diferentes a pantera-negra e a onça-pintada possuem
o mesmo código genético. Indivíduos melânicos são mais comuns em
florestas densas, como a Amazônia. Eles têm uma alta quantidade de
melanina na pele e nos pelos (característica apresentada por algumas
espécies de felinos). Leopardos (Panthera pardus) melânicos também recebem o nome de pantera-negra.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie quase ameaçada.
Lince-ibérico (Lynx pardinus)
A
origem do nome lince vem de uma palavre grega que significa luz, uma
referência ao brilho dos olhos do animal quando iluminados por uma
lanterna – uma característica que ajuda na visão noturna e é comum entre
os felinos e se desenvolveu em outros grupos de mamíferos. São
encontrados na América do Norte, Europa e Ásia. A espécie mais ameaçada é
o lince-ibérico (foto), um especialista em caçar coelhos que sofre por
ter uma área de distribuição restrita na Espanha e com a queda na
população de sua única presa.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): criticamente ameaçado.
Gato-maracajá (Leopardus wiedii)
Escalador
e saltador ágil, o gato-maracajá é muito bem adaptado à vida nas
árvores das florestas, onde ficam suas principais presas. Possui uma
cauda longa que serve de contra peso quando pula de galho em galho,
garras grandes que melhoram a aderência em troncos e pode saltar 2,5
metros para cima em um único impulso. Foi muito caçado por sua pele nas
décadas de 1960 e 1970, mas o desmatamento e a perda de habitat são as
maiores ameaças à espécie nos dias de hoje.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie quase ameaçada.
Gato-pescador (Prionailurus viverrinus)
O
gato-pescador é encontrado no Sudeste Asiático próximo a rios, lagos,
manguezais e pântanos, mas suas adaptações para a vida na água são
principalmente comportamentais. Os dedos são ligados por uma pequena
membrana e os dentes não são tão especializados para agarrar presas
escorregadias. Sua preferência por ambientes à beira d’água faz com que a
espécie sofra com destruição do habitat para a construção de
habitações, drenagem para a agricultura, poluição e pesca (que diminui a
população de peixes, sua principal presa).
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie ameaçada.
Gato-do-deserto (Felis margarita)
O
gato-do-deserto sobrevive a condições áridas a partir dos fluidos que
encontra em suas presas (roedores, pequenos lagartos e cobras). Os pelos
nas plantas das patas servem como isolante térmico e o felino consegue
andar sem problema mesmo quando o chão está cozinhando. Graças ao seu
hábito de cavar tocas na areia, consegue sobreviver aos dias quentes e
às noites frias do deserto.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie quase ameaçada.
Onça-parda (Puma concolor)
Suçuarana,
leão da montanha, puma, cougar… A lista de nomes da onça-parda é longa.
É encontrada das montanhas Rochosas, no Canadá, até o sul da Patagônia
chilena, dos picos nevados dos Andes até os campos do Cerrado, das
planícies do Pantanal até a Floresta Amazônica. Devido à sua
distribuição extensa, o felino acabou recebendo vários nomes populares
em línguas diferentes.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): pouco preocupante.
Colocolo (Leopardus colocolo)
O
colocolo é um pequeno felino encontrado na Cordilheira dos Andes.
Estudos genéticos indicam que o felino também anda pelas planícies
pantaneiras, onde é chamado de gato-do-Pantanal. No
entanto, características físicas e habitats distintos sugerem que os
dois podem se tornar espécies diferentes no futuro. Apesar de não estar
ameaçado a população da espécie segue diminuindo devido à destruição do
habitat.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): espécie quase ameaçada.
Gato-selvagem (Felis silvestris)
O gato-selvagem é uma versão maior, robusta e com pelos mais longos (especialmente no inverno) do gato-doméstico (Felis silvestres catus). Acredita-se que a subespécie africana (Felis silvestres libyca)
seja o ancestral dos felinos encontrados nas casas das pessoas. Habita
savanas, campos rupestres, florestas decíduas e desertos na África,
Europa e Ásia.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): pouco preocupante.
Gato-bravo-de-patas-negras (Felis nigripes)
Do
tamanho de um gato doméstico pequeno (de 34 a 50 cm), o
gato-bravo-de-patas-negras é um dos menores felinos do mundo. Caçam
presas pequenas como ratos, lagartos, pássaros e insetos. É bem adaptado
a regiões áridas e raramente precisa beber água. Encontrado no sul da
África onde sofre com a destruição do habitat para a criação de pastos e
plantações e com o envenenamento por pesticidas consumidos por suas
presas.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): vulnerável.
Jaguatirica (Leopardus pardalis)
A
jaguatirica é um felino generalista. Pode ser encontrada em planícies
alagáveis, como o Pantanal, em densas florestas, como a Amazônia ou
ambientes mais secos, como o Cerrado. Em sua dieta estão pequenos
mamíferos, répteis, anfíbios e peixes. Apesar de não estar ameaçada de
extinção, são caçadas por sua pele e compradas como animais de
estimação. O desmatamento é outro fator que contribui para o declínio da
população da espécie
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): pouco preocupante.
Gato-mourisco (Puma yagouaroundi)
Com
corpo alongado e pernas curtas, o gato-mourisco, também conhecido como
jaguarundi, parece mais um mustelídeo (família das lontras) do que um
felino em suas proporções. Encontrado nas Américas, apresenta três
pelagens diferentes: preta, principalmente em florestas, e cinza ou
vermelha em áreas mais abertas, como o Pantanal e o Cerrado.
Status na IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês): pouco preocupante.