Quando um animal deixa de existir, não
há mais volta. Sua linhagem estará extinta e a única maneira de
lembrarmos da espécie é através de fotos ou em espécimes reconstituídos
em museus. Porém, os avanços nas técnicas de clonagem e na biologia
molecular podem mudar essa história e trazer de volta à vida animais que
entraram em extinção.
O Revive & Restore Project
(Projeto Reviver e Restaurar na tradução literal do inglês) está
trabalhando em métodos e procedimentos para um novo campo da ciência que
está sendo chamado de desextinção. O objetivo é trazer animais
que viveram na Terra, mas, que de alguma forma, foram extintos. O
primeiro passo é a obtenção do genoma completo da espécie através de
amostras de DNA. O material genético pode ser conseguido com exemplares
conservados em museus.
As espécies candidatas à desextinção foram escolhidas pelo Revive & Restore Project com base na resposta a três perguntas principais:
- A espécie é desejada? (É um ícone? Desempenhou um papel ecológico
importante? Trazê-la de volta ajudará a responder importantes questões
para a ciência?)
- Seria prático trazer a espécie? (Há quanto tempo se extinguiu?
Existem parentes próximos vivendo hoje? Há amostras de tecido ou
espécimes conservados para a extração de DNA?)
- A reintrodução no habitat natural poderia acontecer? (O habitat
original está intacto ou pode ser restaurado? As causas da extinção são
conhecidas e podem ser corrigidas? As habilidades para a sobrevivência
no ambiente natural não precisam ser ensinadas pelos pais? A
reintrodução seria viável para a espécie e para o ambiente?).
No entanto esse assunto levanta outras questões: se a
desextinção
for viável, devemos trazer espécies que já se extinguiram? O que
ocorrerá com esses animais uma vez que estiverem de volta? Por que
utilizar recursos para projetos de
desextinção se podemos
investir na conservação de espécies ameaçadas que ainda habitam o
planeta? Para discutir essas questões, a National Geographic sediou o
primeiro fórum público para discutir o tema: O
TedxDeExtinction (assista aos vídeos em inglês
aqui).
Enquanto essas questões não são respondidas, veja 12 animais candidatos à desextinção:
Tigre-dentes-de-sabre (Smilodon fatalis)
Há 10 mil anos, o tigre-dentes-de-sabre,
também conhecido como Smilodon, caçava no continente americano, mas
mudanças climáticas e a caça predatória realizada por humanos levaram a
espécie à extinção. Hoje existem fósseis bem preservados que foram
encontrados nos poços de piche de La Brea, na Califórnia, que poderiam
fornecer o material genético necessário para começar um projeto de desextinção.
Mamute (Mammuthus primigenius)
Entre 3 mil e 10 mil anos atrás, o
mamute entrou em extinção. As causas mais prováveis são mudanças no
clima, que começava a ficar mais quente, e a caça. Todavia, pode ser
possível que a espécie volte a dividir o mundo com os humanos. Em março
de 2012, cientistas da Rússia e da Coreia do Sul anunciaram uma parceria
para clonar o animal e gerar um indivíduo vivo.
Quagga (Equus quagga quagga)
A Quagga era uma subespécie de zebra que
habitava as planícies da África do Sul. Sua principal característica
era o desaparecimento gradual das listras, bem marcantes na frente e
inexistentes atrás. A cor marrom da metade posterior e as patas brancas
também eram particularidades do animal.
O DNA retirado da pele de um exemplar empalhado era muito semelhante à zebra comum (Equus quagga).
Em 1987 surgiu o Projeto Quagga, com o objetivo de trazer o animal de
volta da extinção através de um programa de reprodução seletiva a partir
da zebra comum. O projeto atingiu significante redução nas listras do
corpo na parte traseira até agora.
Dodô (Raphus cucullatus)
O dodô era uma ave que existia nas Ilhas
Maurício, no Oceano Índico. Longe de predadores, o animal perdeu a
habilidade de voar durante a evolução e explorava seu habitat a pé.
Quando os primeiros navegantes chegaram às ilhas no fim do século 16,
começaram a caçar as aves indefesas, que também eram alvo de animais
domésticos como gatos e cachorros (o biguá-de-galápagos enfrenta os
mesmos problemas hoje). Em 1662 o animal entrou em extinção. Como alguns
espécimes foram coletados por exploradores europeus e estão em museus,
podem fornecer tecido para a extração de DNA.
Tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus)
O tigre-da-tasmânia era um marsupial
(mesmo grupo dos cangurus) que vivia na Austrália, Nova Guiné e Tasmânia
até a década de 1930. A perda de habitat e a introdução de cães
domésticos ajudaram na diminuição da população. Biólogos, porém, apontam
para a caça por fazendeiros, que visavam proteger seu rebanho, como a
principal causa da extinção dos animais (mesmo problema enfrentado por
muitos animais no dia de hoje, como a onça-pintada, por exemplo). Será
difícil clonar o tigre-da-tasmânia, porque ele é bem diferente de seus
parentes mais próximos nos dias de hoje – o diabo da tasmânia e o numbat
– o que dificulta as análises genéticas.
Periquito-da-carolina (Conuropsis carolinensis)
O periquito-da-carolina era a única
espécie de psitacídeo (família dos periquitos, papagaios e araras) do
leste dos Estados unidos. Eles viviam às margens de rios, onde se
alimentavam de frutos e sementes. Mas, no século 19, a destruição de seu
habitat causada pela expansão da agricultura, aliada ao tráfico de
animais e a caça pelas penas das aves (a arara-azul enfrenta os mesmos
problemas hoje em dia), acabaram levando a espécie à extinção na
natureza em 1904. O último indivíduo em cativeiro morreu em 1918 no
Zoológico de Cincinnati. Amostras de tecido da espécie podem ser
encontradas em museus nos dias de hoje.
Pombo-passageiro (Ectopistes migratorius)
Existiam bilhões de pombos-passageiros
na América do Norte durante o século 19, mas a caça e a destruição do
habitat levaram a espécie à extinção no começo do século 20. Hoje, um
time de cientistas está tentando trazer a ave de volta utilizando seu
DNA, coletado de tecidos de espécimes encontrados em museus, para mapear
o genoma do animal.
Arau-gigante (Pinguinus impennis)
Anteriormente o arau-gigante podia ser
encontrado em todo o litoral do Atlântico Norte. As aves, semelhante aos
modernos pinguins, haviam perdido o voo durante a evolução e eram
excelentes nadadoras. A caça por suas penas, carne, óleo e gordura levou
a espécie à extinção. O último arau-gigante vivo foi visto em 1852.
Hoje existem mais de 70 exemplares em museus, além de ovos, que podem
ser utilizados para retirada de material genético.
Huia (Heteralocha acutirostris)
O único lugar no mundo onde era possível
se encontrar huias era no norte da Nova Zelândia. Para os Maoris as
penas das aves era um sinal de status: só os chefes podiam usá-las como
adorno. Mais tarde, com a chegada dos europeus, as aves passaram a ser
alvo de colecionadores – que desejavam empalhar os animais para
deixá-los como peças de decoração – e sua população caiu drasticamente. O
último indivíduo foi visto em 1907. A perda de habitat e doenças são
outras causas prováveis da extinção. Hoje seria possível extrair o
material genético da pele dos espécimes empalhados, mas, devido às
condições de conservação, é muito difícil que o genoma completo da ave
seja mapeado.
Moa
As moas são agrupadas em nove espécies divididas em seis gêneros. As maiores (Dinornis robustuse Dinornis novaezelandiae)
deixariam um avestruz parecendo um pequeno passarinho. Elas podiam
chegar a 3,6 metros de altura e pesar cerca de 230 quilos. As aves
entraram em extinção por volta do ano 1400 devido à caça intensiva
promovida pelos Maoris e ao distúrbio provocado pela agricultura. Ela é
uma candidata a desextinção porque existe uma quantidade significativa
de ossos grandes de onde os cientistas podem retirar material genético
para mapear o genoma do animal.
Auroque (Bos primigenius)
Auroques eram bovídeos achados na
Grã-Bretanha, no norte da África e em boa parte do território da
Eurásia. A caça e a competição por pastos com o gado doméstico levaram a
espécie à extinção em 1627.
Tetraz (Tympanuchus cupido cupido)
A subespécie de tetraz-das-pradarias, Tympanuchus cupido cupido,
habitava os brejos da América do Norte, desde o sul de New Hampshire
até o norte da Virgínia. A chegada de colonizadores e a perda de habitat
acabaram levando o animal à extinção em 1932.